Durante as discussões do Conselho Permanente de Gestão (CPG) da Região Norte, realizado em Cruzeiro do Sul, o pescador Vanderlei Alencar, morador do bairro Miritizal, chamou atenção para os desafios enfrentados diariamente pelos trabalhadores da pesca artesanal no Vale do Juruá.
Vivendo exclusivamente da atividade pesqueira, Vanderlei destacou a preocupação com a atuação de pescadores amadores durante o período da piracema. Segundo ele, muitos utilizam malhas inadequadas e acabam capturando peixes de diferentes tamanhos, provocando desperdício e prejuízos aos estoques pesqueiros.
“O pescador profissional utiliza a malha adequada e busca capturar apenas os peixes permitidos. Já alguns amadores acabam retirando os peixes que desejam e deixam outros morrerem sem aproveitamento, causando prejuízos para quem depende da pesca e para as futuras gerações”, afirmou.
O pescador também relatou que a criação de áreas de preservação tem contribuído para a recuperação dos estoques pesqueiros. No entanto, segundo ele, a busca por peixes exige cada vez mais deslocamentos e longos períodos nos rios da região.
Outro tema levantado foi a necessidade de fortalecer a fiscalização contra práticas consideradas predatórias. Vanderlei afirma que, em alguns casos, peixes são capturados de forma irregular e acabam sendo descartados sem qualquer aproveitamento, causando desperdício e impactos ambientais.
Além das questões relacionadas à preservação dos recursos pesqueiros, o pescador manifestou preocupação com os atrasos no pagamento do seguro-defeso, benefício destinado aos trabalhadores durante o período em que a pesca é proibida para garantir a reprodução das espécies.
De acordo com ele, muitos pescadores enfrentam dificuldades financeiras devido à demora na liberação dos recursos. Vanderlei contou que ainda aguarda o recebimento da primeira parcela do benefício e relatou que atualmente está impossibilitado de trabalhar por causa de problemas de saúde.
“Quando o seguro-defeso não é pago no prazo correto, a situação fica muito difícil para quem depende exclusivamente da pesca. Muitos trabalhadores têm família para sustentar e encontram dificuldades para garantir o alimento dentro de casa”, relatou.
Apesar dos desafios, o pescador avaliou de forma positiva a realização do encontro em Cruzeiro do Sul. Segundo ele, as propostas apresentadas por representantes do governo federal e de outras instituições trouxeram informações importantes para a categoria e abriram espaço para a construção de soluções voltadas ao fortalecimento da pesca artesanal.
O evento reúne pescadores, pesquisadores, representantes de órgãos federais e entidades ligadas ao setor, com o objetivo de debater políticas públicas, preservação ambiental e alternativas para melhorar as condições de trabalho e renda das famílias que vivem da pesca na região amazônica.

















