Um chaveiro de 67 anos conseguiu na Justiça o fornecimento gratuito do medicamento Rituximabe pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, nesta segunda-feira (7), celebrou a remissão do lúpus após três anos de tratamento. Saulo Negreiros nasceu no Seringal Silêncio, em Boca do Acre, e há 30 anos trabalha como chaveiro em Rio Branco. Ele é dono do Universo das Chaves, empreendimento montado no Mercado do Bosque que sustenta a família e onde divide a rotina com os filhos.
Os primeiros sintomas apareceram em 2018, com manchas escuras na perna, nas costas e no pescoço, além de um problema na língua. O primeiro médico procurado, um clínico geral, atribuiu o quadro a alergia e chegou a culpar o cigarro e a covid, sem solicitar exames. “Ele falou tudo, menos o que realmente era. Aí nem voltei mais nesse médico”, contou Saulo.
Uma segunda consulta, também com clínico geral, trouxe uma bateria de exames e o diagnóstico de tuberculose, motivado pelo inchaço de uma glândula no braço. O paciente duvidou do resultado por não apresentar tosse, mas seguiu o tratamento indicado. “O tratamento, esse sim foi me matando devagarzinho. Todo dia eu morria um pouco”, relatou. Quando tentou interromper a medicação, foi orientado a mantê-la, sob risco de precisar recomeçar o processo.
O quadro se agravou. A perna direita inchou e escureceu, e Saulo passou a sentir falta de ar e alterações no ritmo cardíaco. Exames identificaram derrame pleural e pressão no pulmão. Um cardiologista o encaminhou a outro especialista após localizar uma lesão no coração. Posteriormente, um novo profissional atribuiu o crescimento das glândulas a um câncer e indicou a remoção do conteúdo do inchaço no braço, além de novas medicações. Os corticoides prescritos nesse período, no entanto, descompensaram a diabetes do paciente e provocaram outras complicações.
O filho Andrey Negreiros descreve o período como um dos mais difíceis da família. “Ele estava tão debilitado que falava todo dia que estava morrendo e foram palavras que me marcaram muito”, disse. Segundo ele, a doença afetou a rotina financeira, física e mental de todos. “Tivemos que moldar a rotina, a casa, o trabalho e o cuidado para lutar pela vida do meu pai.”

















