O argentino Daniel Néstor Guzmán, de 40 anos, investigado pelo feminicídio de Maria Ramona Araújo da Silva, de 18 anos, em Rio Branco, foi preso no último dia 9 de outubro no terminal rodoviário de Presidencia Roque Sáenz Peña, na província de Chaco, na Argentina. A prisão foi divulgada oficialmente pela Polícia Federal (PF) nesta segunda-feira, 19.
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A captura ocorreu após investigação conduzida pela Polícia Civil do Acre (PCAC), que identificou o suspeito e reuniu elementos que fundamentaram o pedido de prisão preventiva, posteriormente autorizado pela Justiça. Como Guzmán havia deixado o Brasil, foram acionados mecanismos de cooperação policial internacional.
O argentino também estava com uma notificação vermelha da Interpol, expedida em 24 de setembro. A medida contribuiu para a localização do investigado fora do país.
A Polícia Federal participou da articulação com as autoridades estrangeiras por meio do Centro de Cooperação Policial Internacional do Rio de Janeiro (CCPI-RJ) e do Núcleo de Cooperação Internacional do Acre (NCI/AC), em conjunto com a Interpol e as forças de segurança argentinas.
Guzmán acabou localizado e capturado pela Polícia da Província de Chaco.
Jovem de 18 anos foi encontrada morta em apartamento
Maria Ramona foi encontrada morta no dia 2 de setembro no banheiro do apartamento onde morava, na Rua Vitória, bairro Conquista, em Rio Branco. A jovem apresentava um profundo ferimento no pescoço.
A Polícia Militar (PM-AC) foi acionada pelo 190 depois que vizinhos perceberam um forte mau cheiro vindo do imóvel. Quando os policiais chegaram, encontraram o portão do apartamento aberto e entraram no local.
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Além do corpo, foram encontrados sacos plásticos com pedaços de colchão sujos de sangue. Conforme os levantamentos realizados durante a investigação, a suspeita é de que Maria Ramona tenha sido morta sobre a cama e que tenha ocorrido uma tentativa de retirar o colchão do imóvel.
As investigações indicaram ainda que o crime teria ocorrido dias antes de o corpo ser localizado. Por causa do avançado estado de decomposição, a jovem não teve velório e foi enterrada no dia seguinte.
Daniel, que havia mantido um relacionamento com Maria Ramona, tornou-se o principal investigado. Na época, a suspeita apontada era de que o crime tivesse sido motivado por ciúmes.
Rompeu tornozeleira e deixou o Brasil
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Quando passou a ser investigado pela morte de Maria Ramona, Guzmán cumpria pena em regime semiaberto e era monitorado por tornozeleira eletrônica.
Segundo as informações da investigação, ele rompeu o equipamento de monitoramento e fugiu. A apuração da Polícia Civil levou à representação pela prisão preventiva e, após a saída do suspeito do Brasil, à mobilização dos mecanismos internacionais para tentar localizá-lo.
A notificação vermelha da Interpol foi expedida em 24 de setembro. Cerca de duas semanas depois, em 9 de outubro, o argentino foi encontrado no terminal rodoviário de Presidencia Roque Sáenz Peña.
Já havia sido condenado pela morte de outra companheira
O caso de Maria Ramona não é o primeiro crime contra uma mulher pelo qual Guzmán é investigado no Brasil. Ele já havia sido condenado pelo assassinato da companheira Betzabeth Miguelina Adam Daza, de 23 anos, que estava grávida de seis meses.
O crime ocorreu em julho de 2018, em Boa Vista, Roraima. Após a morte de Betzabeth, Guzmán fugiu e acabou preso no Acre em setembro daquele ano, quando tentava entrar no Brasil pela fronteira com o Peru, em Assis Brasil.
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Ele foi localizado pela Polícia Federal no posto de imigração do município acreano.
Em 2022, o Tribunal do Júri de Roraima condenou Guzmán a 24 anos de prisão em regime fechado pelos crimes de homicídio, aborto e ocultação de cadáver. A condenação considerou homicídio qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.
Posteriormente, ele passou ao regime semiaberto, com monitoramento eletrônico, condição em que se encontrava quando passou a ser investigado pelo feminicídio de Maria Ramona.
Cooperação internacional
O delegado-geral da Polícia Civil do Acre, Pedro Paulo Buzolin, afirmou que a captura foi resultado da integração entre as instituições brasileiras e argentinas.
“A Polícia Civil do Acre realizou a investigação, identificou o suspeito e representou pela sua prisão preventiva. A partir desse trabalho, a Polícia Federal teve uma participação fundamental, atuando na cooperação internacional e na articulação com as autoridades argentinas, que efetivaram a prisão. É importante reconhecer o trabalho de cada instituição, pois esse resultado demonstra a força da integração policial. A fuga para outro país não pode representar impunidade”, afirmou.
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Daniel Néstor Guzmán permanece à disposição da Justiça argentina enquanto são adotados os procedimentos necessários para a extradição ao Brasil. A Polícia Civil informou que continuará acompanhando os desdobramentos para que o investigado responda perante a Justiça brasileira pela morte de Maria Ramona.


















