Em um desabafo forte que circula nas redes sociais, a irmã de Hadassa, uma jovem trans vítima de uma agressão no último domingo (25), veio a público para denunciar a gravidade do caso e fazer um apelo contra o ódio e a intolerância.
A agressão ocorreu no dia 25 de outubro, após o resultado das Eleições 2026 serem divulgados. De acordo com o relato da irmã Rafaela Oliveira, a vítima sofreu fraturas graves e precisou ser hospitalizada. “Quebraram o maxilar, o nariz, o ouvido dela. Literalmente acabaram com a minha irmã. Ninguém tem o direito de machucar e torturar uma pessoa até esse ponto”, declarou.
Além da violência física, a irmã desmentiu a versão de que as autoridades policiais não teriam sido acionadas e criticou a forma como a irmã foi tratada nas matérias jornalísticas.
“No dia 25, eu quase perdi minha irmã, no dia da eleição, onde estava um clima muito pesado. Pessoas prometendo tocar o terror, muitas ameaças. Minha família viveu um pesadelo real. Vocês já se perguntaram, pelo menos pararam para pensar como é que tá meu pai? Como é que tá minha mãe? Tá sendo muito difícil para eles ver a filha deles no hospital com o rosto literalmente desfigurado. Minha mãe, meu pai, tá sentindo uma dor que não tem tamanho”, desabafou a irmã da vítima.
O desabafo também abordou a reação de usuários nas redes sociais, que utilizaram o caso para disputas e provocações políticas. A irmã lamentou a falta de empatia das pessoas.
“Não importa lado político, se foi briga, se foi desavença no trabalho, nada, nada justifica uma crueldade dessa. Quebraram o maxilar, o nariz, o ouvido dela. Literalmente acabaram com a minha irmã. Ninguém tem o direito de machucar e torturar uma pessoa até esse ponto”, afirmou.
Ela lembrou ainda a triste estatística de que o Brasil lidera o ranking de países que mais matam pessoas trans e travestis. “Gente nas redes sociais fazendo politicagem, rindo da nossa dor. E se um dia eu pudesse ajudar um parente, sua mãe, seu pai, seu irmão, e em vez disso eu fizesse uma arminha ou um L com a mão? Não tem político no mundo que cure a falta de amor ao próximo. O Brasil é o país que mais mata travesti e transexuais no mundo. E graças a Deus hoje a minha irmã está viva por um milagre, mas amanhã pode ser eu, pode ser você, pode ser um familiar seu. E a gente não vai se calar”, disse.



















