A possibilidade de uma estiagem severa provocada pelo fenômeno El Niño acende um alerta para a pecuária acreana. Um levantamento da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) estima que as perdas econômicas no setor podem chegar a R$ 87 milhões, caso a seca se intensifique nos próximos meses.
No Vale do Juruá, assim como nas demais regiões do estado, o cenário exige atenção dos produtores rurais diante da previsão de temperaturas elevadas, redução das chuvas e possibilidade de comprometimento das pastagens e dos recursos hídricos.
Notícias Juruá
O Painel El Niño 2026-2027 projeta a continuidade do fenômeno climático, com perspectiva de seca prolongada, redução dos níveis dos rios e ondas de calor, com temperaturas acima de 35°C.
Segundo o levantamento da Seagri, um dos principais problemas para a pecuária será a redução da oferta e da qualidade das pastagens. As altas temperaturas e o atraso na recuperação da vegetação com a chegada das chuvas podem diminuir a disponibilidade de alimento para os rebanhos.
Outro fator de preocupação é a disponibilidade de água. Durante os períodos mais críticos da estiagem, açudes, tanques e igarapés podem registrar queda nos níveis, prejudicando principalmente propriedades que não possuem estrutura adequada de armazenamento.
O relatório também alerta que a falta de alimento pode levar pecuaristas a anteciparem a venda dos animais. Embora isso aumente temporariamente a oferta de gado no mercado, poderá provocar redução do rebanho disponível nos anos seguintes.
Medidas de prevenção
Dados do setor apontam que o Acre iniciou 2026 com um rebanho de 5,18 milhões de cabeças. Entre janeiro e agosto, a saída de animais para outros estados chegou a 255,6 mil cabeças, crescimento de 3% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Para reduzir os impactos da estiagem, o governo estadual destaca ações preventivas, como a construção de mais de 4,2 mil açudes e tanques por meio do programa de mecanização agrícola, além do monitoramento climático realizado pelo programa Pecuária Mais Eficiente.
Segundo o chefe da Divisão de Programas e da Divisão de Pesquisa Agropecuária da Seagri, Marcos Sant’Ana, o trabalho da secretaria envolve ações práticas de prevenção e levantamento de informações para orientar os produtores.
O gestor também destacou o acompanhamento da situação em países vizinhos, especialmente Bolívia e Peru, para avaliar possíveis reflexos econômicos e produtivos no Acre.
A seca na Bolívia, que já provocou a morte de mais de 75 mil cabeças de gado e afetou cerca de 78 mil famílias, é apontada como um sinal de alerta, principalmente para os municípios acreanos que fazem fronteira com o país.
De acordo com Sant’Ana, a intenção é antecipar riscos e identificar possíveis impactos sobre a produção e a comercialização agropecuária.
O levantamento da Seagri continua em andamento e busca fornecer informações para que produtores e gestores possam se preparar para os possíveis efeitos da estiagem nos próximos anos.



















