A Polícia Militar desarticulou, na tarde desta terça-feira (17), uma ação de “tribunal do crime” promovida por membros de uma facção criminosa no bairro Poeirinha, em Marechal Thaumaturgo. Quatro pessoas foram detidas em flagrante: dois adultos presos e dois adolescentes apreendidos. Três vítimas eram mantidas em cárcere privado na residência, sendo julgadas sob acusação de furto de um celular.
De acordo com a PM, o grupo foi acionado após denúncia e, ao se aproximar da casa, uma das pessoas que estava no local avistou os policiais e correu para dentro gritando “polícia, polícia, deu errado”. Várias pessoas tentaram fugir, mas foram abordadas e contidas pelos militares.
A dona da residência confessou integrar uma organização criminosa e afirmou ter recebido ordens de lideranças da facção para realizar o “julgamento”. Segundo ela, dias antes ocorreu o furto de um aparelho celular e o dono do bem procurou a facção pedindo “providências”. O grupo então localizou os supostos autores e promoveu o encontro para decidir a punição.
A mulher detalhou que foi decidido aplicar uma “disciplina” (agressões físicas) aos acusados e que eles deveriam ressarcir o valor do telefone roubado. No momento da chegada da PM, o grupo aguardava a chegada de outros membros que aplicariam as punições.
Entre as três vítimas, estava uma mulher que compareceu ao local na tentativa de evitar as agressões contra o irmão. Ela se comprometeu a pagar pelo celular desaparecido, mesmo afirmando que o familiar era inocente.
Durante a ação, a suspeita admitiu ainda ser responsável por cobrar dívidas relacionadas ao tráfico de drogas em nome da facção. Em sua posse, os policiais encontraram uma anotação com nomes de devedores, totalizando R$ 7.286,00.
Todos os envolvidos, os quatro detidos e as três vítimas, foram conduzidos à Delegacia de Polícia Civil de Marechal Thaumaturgo para os procedimentos cabíveis. O caso segue sob investigação para identificar demais participantes da organização criminosa.
A Polícia Militar reforça o compromisso com o combate ao crime organizado na região do Juruá e orienta a população a denunciar anonimamente qualquer atividade suspeita por meio do 190.


















