O Centro Diocesano de Cruzeiro do Sul sediou, durante quatro dias, uma formação voltada para jovens e lideranças indígenas da região do Vale do Juruá. A atividade teve como foco a capacitação em elaboração de projetos e editais, com o objetivo de fortalecer a autonomia das comunidades na criação e gestão de iniciativas sustentáveis em seus territórios.
O presidente da Associação do Povo Ashaninka da Terra Indígena Campa do Rio Amônia, Teyãko Wewito da Silva Piyãko, destacou a importância do aprendizado para o futuro das aldeias.
“Aprender isso é fundamental para que as comunidades possam desenvolver seus próprios projetos e ter autonomia, principalmente quando se fala em iniciativas sustentáveis. Essa formação fortalece as lideranças e garante que os jovens levem esse conhecimento para suas comunidades”, afirmou.
A jovem Marika Luysa Yawanawa, do povo Yawanawa, também ressaltou o impacto da formação.
“Foram dias cansativos, mas um cansaço produtivo. Aprendemos a lidar com editais e a elaborar projetos que realmente possam servir para dentro da comunidade. É uma oportunidade para nós, jovens, nos prepararmos para o futuro e fortalecermos nossa cultura”, disse.
O coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), Francisco Piyãko, avaliou o encontro como um marco para o movimento indígena no Acre.
“Estamos unindo lideranças antigas e jovens em um processo que busca dar mais autonomia aos territórios. Essa é a primeira vez que temos uma capacitação desse tipo realizada pelo próprio movimento indígena na região, e a ideia é ampliar cada vez mais”, destacou.
Segundo os organizadores, participaram do encontro 16 delegações, representando 13 povos indígenas e 14 terras indígenas, incluindo comunidades de difícil acesso de Marechal Thaumaturgo, Tarauacá e Jordão.
Além da capacitação, houve também a entrega de notebooks para os jovens, como forma de apoiar a continuidade do aprendizado e a implementação dos futuros projetos.



















