A BR-364, principal via de ligação do Acre com o restante do país, continua apresentando condições precárias em diversos trechos, especialmente no interior do estado. Buracos, crateras, lama profunda e erosões são problemas recorrentes, agravados pelo período chuvoso da Amazônia, que transforma partes da rodovia em caminhos de alto risco para motoristas. O trecho entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul (cerca de 600 km) é um dos mais criticados. Reportagens recentes mostram que, em praticamente toda a extensão, a via apresenta buracos que causam danos a veículos, atrasos nas viagens e acidentes frequentes.
Trechos como o entre Sena Madureira e Manoel Urbano, Manoel Urbano e Feijó, e áreas próximas a Feijó até o rio Liberdade são apontados como os mais críticos, com atoleiros, lama e instabilidade no pavimento que tornam a pista escorregadia e quase intransitável em dias de chuva. Motoristas relatam que o tempo de viagem, que antes levava de 8 a 12 horas entre a capital e Cruzeiro do Sul, pode chegar a 16 horas ou mais, e em casos extremos ultrapassar 24 horas para veículos pesados. “É um caos, ônibus quebra, mola quebra, passageiros reclamam”, descreveu um condutor de linha intermunicipal.
A situação gera prejuízos econômicos, com aumento nos custos de manutenção de veículos e frete, além de impactar o abastecimento de cidades do interior. Acidentes também são comuns. A cerca de duas semanas, um ônibus com 42 passageiros tombou após o motorista perder o controle ao atingir um buraco em trecho considerado um dos mais precários.
Outros registros incluem caminhões tombados ao tentar desviar de buracos e veículos arremessados em ribanceiras. A rodovia é frequentemente chamada de “BR da morte” em razão do alto índice de ocorrências em áreas mal conservadas. Apesar das críticas, o governo federal anunciou investimentos significativos em 2025. Em agosto, o presidente Lula autorizou mais de R$ 800 milhões (até R$ 870,9 milhões em alguns relatos) para recuperação e manutenção em trechos que somam cerca de 280 a 318 km, divididos em lotes.
Obras emergenciais de tapa-buracos e aplicação de macadame hidráulico já estão em andamento em pontos como Sena Madureira a Feijó, com previsão de reconstrução definitiva licitada até o final do ano e conclusão prevista para 2028. Moradores, caminhoneiros e empresários cobram agilidade nas intervenções. “Quem vive aqui sabe o perigo que enfrentamos todos os dias”, disse um residente da região.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) afirma que equipes atuam em múltiplos frentes, mas reconhece que o solo frágil e as chuvas intensas dificultam os serviços, tornando a manutenção uma “sensação de enxugar gelo” em alguns períodos. A situação reforça a necessidade urgente de melhorias na infraestrutura da BR-364, essencial para o transporte de cargas, passageiros e o desenvolvimento econômico do Acre.



















