Indígenas de diferentes etnias ocuparam, por volta das 21h20 desta quarta-feira (4), o Aeroporto Internacional de Santarém Maestro Wilson Fonseca, no oeste do Pará. A ação é um desdobramento da mobilização iniciada no período da tarde, quando manifestantes bloquearam a principal via de acesso ao terminal.
De acordo com o movimento indígena, a ocupação ocorre em protesto contra o Decreto nº 12.600/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que autoriza a concessão de hidrovias à iniciativa privada e prevê a dragagem do rio Tapajós.
As lideranças alertam para possíveis impactos socioambientais da medida, que, segundo elas, pode afetar diretamente os territórios e o modo de vida das comunidades tradicionais da região. Os manifestantes afirmam ainda que o decreto foi publicado sem consulta prévia aos povos indígenas e pode abrir caminho para grandes intervenções no rio, como obras de dragagem, construção de portos e implantação de hidrovias.
O Ministério Público Federal (MPF) também aponta riscos associados à continuidade das obras, como a liberação de metais pesados — entre eles o mercúrio — e de sedimentos, o que pode comprometer a qualidade da água e representar ameaças à saúde das populações que dependem do rio para consumo e pesca.
Além disso, o órgão alerta para possíveis prejuízos às populações de peixes e outros organismos aquáticos, em razão do aumento da turbidez da água e de alterações no ecossistema. Segundo o MPF, a dragagem pode destruir habitats essenciais para a reprodução, alimentação e migração de espécies ameaçadas, como os botos (rosa e tucuxi), o peixe-boi amazônico, quelônios e aves aquáticas.
Em nota, a Aena Brasil, concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de Santarém, informou que todos os voos previstos para o fim da noite desta quarta-feira (4) e a madrugada desta quinta-feira (5) foram cancelados em razão da ocupação.


















