O risco de uma seca severa no Acre em 2026 já acende o alerta em Rio Branco e pode chegar antes do previsto. A preocupação é baseada em sinais antecipados de mudanças climáticas e no comportamento recente do Rio Acre, que pode enfrentar níveis críticos nos próximos anos.
Segundo o coordenador da Defesa Civil Municipal, Cláudio Falcão, projeções anteriores já indicavam um cenário preocupante, mas os efeitos estão se antecipando
“A previsão era para 2032, de o Rio Acre chegar a uma cota zero, mas essas secas extremas que estavam previstas para 2030 já foram antecipadas para 2025 e 2024. Então talvez não chegue nem até 2032”, afirmou.
Queda das chuvas e influência do El Niño
A tendência é de redução significativa das chuvas a partir de maio, com influência do fenômeno climático El Niño, o que deve intensificar o período de estiagem.
“A partir de maio teremos uma corrente mais forte do El Niño, com diminuição significativa das chuvas e início de uma seca extrema que deve se intensificar a partir de julho”, explicou.
Os primeiros efeitos já devem ser sentidos nos próximos meses, com aumento das temperaturas e redução da umidade.
Diferente das enchentes, que atingem áreas específicas, a seca tem impacto generalizado. “Na seca, 100% da população é afetada. Vamos ter problemas respiratórios, calor extremo e possível desabastecimento de água, principalmente em comunidades rurais”, destacou Falcão.
Outro ponto de preocupação é o aumento do risco de queimadas, favorecido pelo clima seco e pelas altas temperaturas.
Fatores que agravam a situação
Entre os agravantes estão o desmatamento e o assoreamento do Rio Acre ao longo de sua extensão.
“O Rio Acre tem 1.190 quilômetros e muitas dessas margens estão desmatadas, além do assoreamento. Isso precisa ser enfrentado com ações efetivas”, pontuou.
Apesar do alerta para a seca, o nível do Rio Acre ainda reflete impactos recentes das chuvas em regiões como Xapuri e Brasiléia, que contribuíram para elevação temporária do manancial.
“Estamos com um nível bastante elevado para a segunda quinzena de abril, mas teremos meses difíceis pela frente”, afirmou.
Planejamento em andamento
Diante do cenário, o município já iniciou medidas de preparação, com articulação entre diferentes áreas da gestão pública.
“Estamos colocando plantões contínuos em ação e, até o final de abril, vamos reunir com secretarias como Meio Ambiente, Saúde e Agricultura para traçar estratégias”, disse.


















