A história do Brasil e o desenvolvimento do Vale do Juruá ganharam voz e rosto durante a solenidade de aniversário de 83 anos do 61º Batalhão de Infantaria de Selva (61º BIS). O grande destaque da comemoração ao Dia do Veterano foi a presença ilustre do senhor Manoel Ferreira de Moura, um expedicionário convocado durante a Segunda Guerra Mundial, que completou 98 anos no último dia 8 de julho.
Lúcido e com uma memória invejável, Seu Manoel compartilhou com a tropa e com o público as lembranças de um tempo em que as viagens fluviais ditavam o ritmo da Amazônia. Ele relembrou sua jornada de Cruzeiro do Sul até Manaus em embarcações financiadas pelo governo, que transportavam mercadorias e a valiosa borracha acreana.
Materialde referência geográfica
“Pegamos o navio Lloyd para Belém. Viajamos três dias e três noites. O comandante mandou chamar os militares que iam a bordo, nós éramos dez. Nesse instante, recebi um telegrama de Manaus avisando que a guerra tinha acabado lá na Itália. Foi uma zoada dentro desse navio!”, relatou o veterano, com um sorriso ao lembrar do alívio com o fim do conflito.
O crescimento da cidade e as memórias de família
Nascido em Cruzeiro do Sul, Seu Manoel é uma testemunha ocular da transformação urbana do município. Morador do bairro João Alves, ele recorda que, em sua juventude, as ruas não passavam de caminhos de terra.
“Quando eu cheguei aqui, era dentro da lama. Estou muito agradecido de ver esse povo aqui. Fazia muitos anos que eu não via tanta gente assim. Minha irmã, que já morreu, andou por aqui e disse: ‘Nunca no mundo eu pensei que Cruzeiro do Sul fosse desse tamanho’. É o maior município do Acre”, orgulha-se.
Sobrevivente de uma família de quatro irmãos, o veterano também compartilhou um momento de profunda fé e emoção ao relembrar uma profecia feita por seu falecido irmão, José, durante um período em que enfrentava problemas de saúde.
“Eu fui assistir a um culto, me levaram doente. Meu irmão botou a mão na minha cabeça e disse duas vezes: ‘Você vai ficar bom. E você vai durar muito, e vai se lembrar de mim muitas vezes’. Ele já faleceu, e eu estou aqui”, contou emocionado.
Diante da tropa perfilada e do respeito das novas gerações de militares do Batalhão Marechal Thaumaturgo, Seu Manoel resumiu o sentimento de ser homenageado quase um século após seu nascimento: “Eu estou muito feliz, na idade que eu tenho, ainda hoje estar aqui junto com vocês. É uma dádiva de Deus”.



















