Pouco mais de um ano após a morte da assessora jurídica do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), Juliana Chaar Marçal, de 36 anos, a família decidiu transformar o luto em um novo pedido público por justiça. Nesta sexta-feira, 17, parentes instalaram um outdoor na Avenida Getúlio Vargas, uma das vias mais movimentadas de Rio Branco, para cobrar celeridade no andamento do processo e o julgamento dos acusados.
Juliana morreu no Pronto-Socorro de Rio Branco horas depois de ser atropelada por uma caminhonete, na madrugada de 21 de junho de 2025. Passado um ano, os dois réus do processo respondem em liberdade, situação que, segundo a família, reforça o sentimento de impunidade.
Em entrevista ao portal A GAZETA, o advogado Vandré Prado, primo de Juliana, afirmou que a iniciativa foi tomada em consenso entre os familiares para manter viva a memória da assessora e chamar a atenção da sociedade para a demora na responsabilização dos envolvidos.
“Nosso intuito foi única e exclusivamente lembrar a memória dela e cobrar, realmente, um pouco mais de celeridade para que os responsáveis pela morte dela sejam levados à Justiça. A família confia na Polícia Civil e no Poder Judiciário, mas não quer conviver com a impunidade. Além do luto de perder uma pessoa tão querida, ver as pessoas envolvidas vivendo suas vidas normalmente em liberdade traz um profundo sentimento de injustiça.”
Caso segue sem julgamento
O caso teve grande repercussão no Acre. Na madrugada em que Juliana morreu, a Polícia Militar havia sido acionada inicialmente para atender uma ocorrência de disparos de arma de fogo em via pública, supostamente efetuados pelo advogado Keldheky Maia, amigo da vítima.
Momentos depois, Juliana foi atingida por uma caminhonete conduzida por Diego Luiz Gois Passos, de 27 anos. Ela chegou a ser socorrida, mas morreu horas depois no Pronto-Socorro da capital.
Keldheky Maia chegou a ser preso em flagrante pelos disparos, mas obteve liberdade provisória. Já Diego Luiz Gois Passos teve a prisão decretada dias após o ocorrido. Atualmente, ambos respondem ao processo em liberdade.
Família quer provar que houve assassinato
O advogado Carlos Venicius Ferreira Ribeiro Junior, que passará a atuar como assistente de acusação ao lado do Ministério Público do Acre (MP-AC), afirmou que a estratégia da família será demonstrar que a morte de Juliana não pode ser tratada como um acidente.
Segundo ele, o pedido para atuar oficialmente no processo já foi apresentado e aguarda decisão da Justiça.
“Nosso papel durante o curso desse processo será mostrar que naquele dia fatídico ocorreu um assassinato, e não um acidente ou uma legítima defesa. Nós consideramos os réus culpados; acreditamos que eles são assassinos, e não só acusados.”
O advogado afirmou que a atuação da assistência de acusação buscará reunir elementos para que os réus sejam pronunciados e levados ao Tribunal do Júri.
“O trabalho será desenvolvido para mostrar à população acreana que uma inocente foi atropelada e assassinada como se faz com um animal no meio da estrada. E isso não pode ficar impune.”

















