Os golpes aplicados contra moradores do Acre ficaram mais frequentes ao longo de 2025. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apontam que o estado registrou 6.370 ocorrências de estelionato e fraude no ano passado, um aumento de 12% em comparação com 2024. Em média, foram mais de 17 registros por dia.
De acordo com o levantamento, o crescimento está diretamente relacionado ao avanço das fraudes praticadas por meios eletrônicos, impulsionadas pela expansão dos aplicativos bancários e das transferências instantâneas via Pix.
No Acre, os casos de estelionato cometido por meio eletrônico aumentaram mais de 87% em apenas um ano, ultrapassando 400 ocorrências. Com isso, a taxa geral de estelionatos no estado chegou a 723,3 casos para cada 100 mil habitantes.
O cenário acompanha uma tendência nacional. Em todo o Brasil, os registros de estelionato cresceram 429% desde 2018 e ultrapassaram a marca de 2,2 milhões de ocorrências em 2025, tornando esse o crime patrimonial mais registrado no país, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Golpes mais comuns
Entre as modalidades mais frequentes está o golpe do falso parente, em que criminosos utilizam aplicativos de mensagens para se passar por familiares e solicitar transferências via Pix.
Também são recorrentes as fraudes envolvendo anúncios falsos de compra e venda de veículos e imóveis, falsas centrais de atendimento bancário e falsas ofertas de empréstimos consignados.
No Acre, as forças de segurança também identificam o chamado “golpe da facção”, em que criminosos entram em contato com moradores e comerciantes, alegam integrar organizações criminosas e exigem pagamentos mediante ameaças.
Investigações exigem integração
Segundo o anuário, a apuração desse tipo de crime tornou-se mais complexa porque muitos golpes são praticados por grupos criminosos que atuam em outros estados, utilizando contas bancárias de terceiros para dificultar o rastreamento da origem e da movimentação dos recursos obtidos ilegalmente.
Diante desse cenário, as investigações exigem atuação integrada entre as polícias civis, órgãos de inteligência, instituições financeiras e o Banco Central para identificar os responsáveis, bloquear transferências e tentar recuperar os valores desviados.
Enquanto os golpes virtuais seguem em crescimento, os crimes patrimoniais cometidos com violência, como os roubos, continuam apresentando queda no Acre, evidenciando uma mudança no perfil da criminalidade, cada vez mais concentrada no ambiente digital.



















