“Detalhes tão pequenos de nós dois, são coisas muito grandes pra esquecer, e a toda hora vão estar presentes, você vai ver”. Esse foi o trecho de uma das músicas de Roberto Carlos que embalou momentos da vida de Hilda Dias, de 72 anos. Para muitos, a Jovem Guarda foi um marco na história da música brasileira, um sopro de juventude e rebeldia que mudou o comportamento de uma geração. Mas para Hilda, esse movimento e, em especial, a figura de Roberto Carlos, moldaram memórias inesquecíveis, histórias e uma paixão que resistiu ao tempo.
A poucos dias do show do Rei em Rio Branco, o ContilNet conversou com uma das grandes fãs do cantor, que contou histórias, cantou grandes sucessos e se emocionou ao falar de Roberto Carlos.
Natural de Tarauacá, no Acre, Hilda viu sua adolescência ser embalada pelos ritmos e sucessos que ecoavam pelo país. Entre mudanças para Goiânia e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, ela e as irmãs vivenciaram de perto o fenômeno cultural da época. O programa Jovem Guarda, transmitido pela TV na Urca, era parada obrigatória e o epicentro de uma verdadeira legião de admiradores e fã-clubes.
Cobertura política local
“Eu saí daqui era uma adolescente. Morei um ano em Goiânia. Em 68, tava no Rio, morei em Botafogo. Eu e minha irmã, a minha irmã já tava lá, e tinha o programa Jovem Guarda na TV Tupi, que era na Urca. O Roberto Carlos mora na Urca até hoje. O programa Jovem Guarda, tinha a Wanderléia, Erasmo Carlos, aquela galera toda. Aquela filha enorme, aquela loucura e tal. Como a gente era apaixonada pelo Roberto e pela Jovem Guarda, e esse foi o primeiro show na Jovem Guarda.
Em um tempo em que os recursos eram outros, Hilda lembra com emoção de como consumia a obra do ídolo. Como não trabalhava na adolescência, era a sua irmã quem comprava os cobiçados discos de vinil e assinava os dois nomes “Hilda e Conceição”, selando uma cumplicidade eterna através da música. Anos depois, já adulta e morando no Acre, ela passou a colecionar religiosamente os CDs lançados nas lojas de discos localizada no Centro de Rio Branco.
Cobertura política local
“Minha irmã trabalhava e eu não. Sabe o que ela fazia? Ela comprava o vinil, assinava o nome dela e o meu. Era assim para, ela dizia: ‘Irmã, é nosso’. O vinil, naquela época não tinha CD, não. Era vinil e ela comprava todo mês que ela trabalhava, ela escrevia ‘Hilda e Conceição’. Eu não trabalhava ainda, era adolescente. Mas o vinil ficou com ela, depois ela casou e quando eu vim para o Acre em 90, eu comecei a comprar os CDs. Eu ia lá na loja e comprava todo mês, quando eu recebia meu pagamento, eu corria lá na loja de disco e comprava. Eu tenho os CDs ali, e eu amo”, disse.
Entre perdas de shows por conta de cirurgias nos joelhos e memórias de familiares que já se foram, Hilda guarda a certeza de que o reinado de Roberto Carlos foi único. Para ela, ícones como Beatles, Elvis Presley e Rolling Stones dividiam espaço no coração, mas nenhum jamais alcançou o patamar ou a importância do Rei.
Como canta o Rei: se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi. Entre causos, risadas e muita saudade, a história de Hilda Dias é o retrato fiel de uma fã que fez da música a trilha sonora da sua própria vida.
Emocionada e animada, Hilda recebeu a equipe do ContilNet em sua casa em Rio Branco e mostrou sua rotina diária escutando Roberto Carlos. “Quando meus netos eram pequenos, eu dei um aparelho de som para eles. Depois de grande o meu neto me devolveu, porque eles gostam agora de ouvir música por outros meios. Não é comigo. E aí ele me devolveu o aparelhinho e eu fico ali na minha mesa e eu fico ouvindo o CD, porque é bacana você abrir o CD e colocar ali, né? Eu sei que é só mexer no celular e botar até numa caixa de som que tem boa ali, mas não é a mesma coisa”, contou.


















