
A violência doméstica nem sempre começa com agressões físicas. Comportamentos como quebrar o celular da companheira, exigir acesso às senhas das redes sociais e tentar controlar suas roupas, maquiagem e amizades também podem configurar violência, conforme as circunstâncias. O alerta foi feito pelo delegado Vinícius Almeida, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Criança e Adolescente, em Cruzeiro do Sul.
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Durante entrevista, o delegado explicou que a violência doméstica pode assumir diferentes formas, incluindo a física, psicológica e patrimonial. Segundo ele, atitudes de controle e intimidação não devem ser ignoradas pelas vítimas.
“Quebrar o telemóvel da vítima, querer controlar o acesso às redes sociais, controlar roupa, maquilhagem, amizade… tudo isso aí é uma forma de violência doméstica que pode ser reprimida”, afirmou.
A orientação é que mulheres que se identifiquem com essas situações procurem ajuda. Mesmo quando houver dúvidas sobre a existência de violência, a vítima pode buscar atendimento na delegacia para receber orientações.
Delegacia oferece acolhimento
De acordo com Vinícius Almeida, a unidade conta com profissionais de psicologia e assistência social para acolher as mulheres, tanto no primeiro atendimento quanto em momentos posteriores. O trabalho também é realizado em parceria com a rede de proteção.
A Polícia Civil desenvolve ainda ações educativas em escolas, com palestras e orientações destinadas a ampliar a conscientização sobre a violência doméstica e sexual.
O delegado destacou que a responsabilidade de combater a violência não é apenas da vítima. Familiares, vizinhos e outras pessoas que tenham conhecimento de possíveis agressões podem procurar a polícia.
Ao comentar o ditado popular “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, ele defendeu que a sociedade não permaneça indiferente diante de situações de violência.
“ A gente vive em sociedade. O que a gente não quer para a nossa família, a gente também deve fazer para o próximo”, declarou.
Desistir da denúncia nem sempre encerra o procedimento
Outro ponto explicado pelo delegado é que uma vítima nem sempre pode interromper uma investigação após registrar uma ocorrência. Nos crimes de ação penal pública incondicionada, o procedimento pode continuar independentemente da vontade da mulher de desistir

















