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Festival Mariri Yawanawa 2026 começa na Aldeia Yawarani com encontro de aldeias do Rio Gregório

A Aldeia Yawarani, às margens do Rio Gregório, em Tarauacá, se transform, nesta semana, no ponto de encontro do povo Yawanawa para a realização do Mariri Yawanawa 2026. Pela primeira vez, a comunidade recebe o festival, que reúne as aldeias do território, além de convidados, visitantes e turistas vindos de diferentes cidades do Brasil e de outros países.

A abertura marca o início de uma semana dedicada à celebração da vida, da ancestralidade e dos conhecimentos tradicionais Yawanawa. O festival acontece de 26 a 31 de agosto e tem como anfitrião o cacique Shaneihu Yawanawa, uma das jovens lideranças do povo.

Segundo Shaneihu, o festival na Yawarani representa “uma oportunidade que nosso povo tem de se reconciliar com os nossos ancestrais e de mantermos viva a memória e as tradições do povo Yawanawa. É também a realização do sonho do meu avô, meu pai, minha mãe e meu tio, de que o festival acontecesse um dia também na Aldeia Yawarani”.

Mais do que um evento aberto a visitantes, o Mariri representa um momento de reencontro para os próprios Yawanawa. É quando famílias, lideranças, anciãos, jovens e crianças das diferentes aldeias se reúnem para fortalecer vínculos, compartilhar conhecimentos e reafirmar práticas que atravessam gerações.

A organização do festival é coordenada pelo cacique geral Tashka Yawanawa, uma das principais lideranças do povo e responsável pela articulação do encontro, que ao longo dos anos ganhou projeção para além do território indígena e passou a atrair um público nacional e internacional.

“Levar o Mariri para a Yawarani tem um significado muito especial. Cada aldeia tem sua história, sua força e sua maneira de receber. Este ano, a Yawarani abre suas portas para todo o povo Yawanawa e para os nossos convidados, e isso também mostra que o Mariri pertence a todos nós”, afirma o Cacique Geral do Povo Yawanawa.

Na Aldeia Yawarani, a programação reúne cantos, danças, cerimônias, expressões artísticas, momentos de espiritualidade e atividades de transmissão dos conhecimentos tradicionais. O terreiro e os espaços da comunidade se tornam, durante os dias do Mariri, lugares de encontro entre diferentes gerações e também de recepção aos visitantes.

A mudança de cenário dá à edição de 2026 uma característica particular. Depois de alguns anos sendo realizado na Aldeia Mutum, o festival é sediado este ano pela Aldeia Yawarani, que assume o papel de anfitriã e recebe o grande encontro do povo Yawanawa.

Para Shaneihu, receber o Mariri na comunidade tem um significado que ultrapassa a realização de um grande evento. A chegada do festival à Yawarani representa também o cumprimento de um desejo que atravessou gerações dentro da família do cacique.

A realização do festival também movimenta uma complexa rede de trabalho comunitário. A preparação envolve infraestrutura, alimentação, transporte, organização dos espaços e acolhimento dos visitantes que chegam ao território para acompanhar a programação.

Para quem vem de fora, a experiência começa muito antes da chegada ao terreiro. O deslocamento até o território Yawanawa envolve caminhos por estrada e pelo Rio Gregório, fazendo do próprio percurso parte da aproximação com a floresta e com a realidade das comunidades indígenas.

Ao longo dos dias, o Mariri apresenta aos visitantes uma cultura que não está restrita a uma programação de palco. Cantos, pinturas corporais, danças, brincadeiras, artesanato, alimentação, narrativas e conhecimentos tradicionais fazem parte de uma vivência em que os Yawanawa ocupam o centro da celebração e são os protagonistas da transmissão de seus próprios saberes.

A presença de visitantes de diferentes regiões do Brasil e do exterior também evidencia a dimensão que o Mariri alcançou nos últimos anos. O festival se consolidou como um dos principais eventos culturais ligados aos povos indígenas no Acre e como um espaço de encontro entre a tradição Yawanawa e pessoas interessadas em conhecer sua cultura diretamente no território.

Mas, para as lideranças Yawanawa, o sentido mais profundo do encontro permanece ligado à própria comunidade: reunir o povo, celebrar a vida, honrar os ancestrais, fortalecer a identidade e garantir que os conhecimentos tradicionais continuem sendo transmitidos às novas gerações.

O Mariri Yawanawa tem o apoio da Ascy – Associação Sociocultural Yawanawa, presidida por Laura Soriano Yawanawa.

Cinema indígena volta ao Mariri Yawanawa pela terceira vez

FestCine Originários participa novamente do festival e realizará homenagem ao idealizador Moisés Alencastro

O cinema indígena também terá espaço na programação do Mariri Yawanawa 2026. Pelo terceiro ano consecutivo, o FestCine Originários participa do festival, levando sessões de cinema para dentro do território Yawanawa.

Nesta edição, o projeto será representado pelas produtoras Jackie Pinheiro e Patrícia Helena, que chegam à Aldeia Yawarani para dar continuidade a uma parceria iniciada em 2024. Em 2025, o projeto voltou ao festival com uma programação de filmes indígenas.

A proposta mantém o cinema como ferramenta de aproximação, memória e valorização das narrativas dos povos originários. Durante o festival, serão realizadas sessões de produções indígenas, permitindo que o público da aldeia tenha contato com diferentes histórias e olhares produzidos a partir dos próprios povos.

A edição deste ano, no entanto, terá também um significado especial. O FestCine e o Povo Yawanawa farão uma homenagem a Moisés Alencastro, idealizador do projeto, que foi assassinado em dezembro de 2025.

Moisés era jornalista, ativista cultural e servidor público, com atuação ligada à cultura, à comunicação e aos direitos humanos no Acre. Em sua trajetória estão a criação de dois importantes festivais de cinema: o Festival Transamazônico e o FestCine Originários.

A homenagem na Aldeia Yawarani representa, assim, uma forma de manter presente a memória de quem ajudou a construir uma iniciativa voltada à circulação do cinema indígena e à ampliação do acesso às narrativas dos povos originários.

Ao retornar ao Mariri pela terceira vez consecutiva, o FestCine Originários mantém uma parceria que ultrapassa a simples exibição de filmes. O projeto volta ao território onde suas telas já encontraram crianças, jovens, anciãos e visitantes, levando consigo a ideia de que contar histórias também é uma maneira de preservar memória, fortalecer identidades e aproximar diferentes mundos.

Em 2026, a sessão de cinema acontece em uma nova aldeia, mas preserva o mesmo propósito: fazer com que o audiovisual chegue às comunidades e que as histórias dos povos originários sejam vistas e ouvidas em seus próprios territórios.

A realização desta edição do FestCine Originários conta com o trabalho voluntário da equipe formada por Jackie Pinheiro, Patrícia Helena, Maria Meirelles e Neilson Abdala, além do apoio dos curadores e amigos do idealizador do projeto, Sérgio Carvalho, Rose Farias e Wewito Piyanko, e da secretária de Estado de Comunicação, Nayara Lessa.

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