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Manifestantes espalham cruzes em lembrança a vítimas de feminicídio durante ato no AC: ‘Parem de nos matar’

Oitenta e duas cruzes foram espalhadas em frente ao Palácio Rio Branco, nesta sexta-feira (25), em um ato contra o feminicídio. As cruzes representam o número de vítimas entre 2018 e junho deste ano, segundo a organização.

Além das cruzes, homens e mulheres também acenderam velas, espalharam cartazes e banners pedindo o fim da violência contra a mulher. O ato ‘Parem de Nos Matar’ reuniu ativistas, coletivos, entidades da sociedade civil e familiares de vítimas do feminicídio e marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado nesta sexta.

“A mobilização, de caráter nacional, busca dar visibilidade à violência de gênero e cobrar ações concretas de prevenção, acolhimento e Justiça”, diz a organização.

Ainda segundo dos dados levantados pelos manifestantes, em sete anos foram registradas 158 tentativas de feminicídios no Acre. A manifestação cobrou o cumprimento de políticas públicas e mais rigor no combate à violência contra a mulher.

“O feminicídio é um crime evitável, mas para se evitar a vítima de violência precisa ser socorrida a tempo, quando vai no sistema de saúde, ou quando vai denunciar na delegacia ou no Cras [Centros de Referência de Assistência Social] e relatar os maus-tratos, a fome e a violência psicológica sofrida”, destacou a ativista Almerinda Cunha, da Associação de Mulheres Negras do Acre.

Ato marcou uma homenagem às vítimas do feminicídio no Acre — Foto: Pedro Marcelo/Rede Amazônica Acre

Se houvesse esses serviços na área da saúde, segurança e de educação, o feminicídio dava até para ser evitado, mas acontece que a maioria das mulheres não sabem nem o tipo de violência, não sabem quando estão correndo risco de vida e ficam docilmente até ter a vida ceifada.

Almerinda explicou que existe a necessidade de reforçar os canais de ajuda nas áreas de saúde, segurança e educação porque, muitas das vezes, as mulheres não sabem que estão sofrendo algum tipo de violência. “Estamos pedindo que os poderes, governantes federais, estaduais e municipais protejam a vida das mulheres. Chega de nos matar, parem de nos matar”, disse.

Realidade que precisa acabar

A procuradora de Justiça do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), Patrícia de Amorim Rêgo, frisou que as vítimas de feminicídio, geralmente, já sofrem algum tipo de violência antes de serem assassinadas.

Essas violências, na maioria das vezes, são presenciadas ou vivenciadas por parentes e conhecidos, mas que não encojaram a mulher a denunciar e buscar a ajuda.

“O vizinho percebe, a família e, muitas vezes, resolve não se envolver, nem denunciar, não ajudar e até julgar. A gente precisa ter consciência de que nós, individualmente enquanto sociedade, precisamos nos envolver, evitar mais mortes. Precisamos mostrar empatia, apoio, solidariedade e fazer com que essas mulheres busquem ajuda”, reforçou.

Para a procuradora, a quantidade cruzes usadas no ato mostra um fracasso da sociedade. “Importante dizer é que todo crime de feminicídio, ao contrário do homicídio, é evitável. Podemos zerar o feminicídio. É inadmissível, não podemos, como sociedade civilizada, admitir que mulheres morram pelo fato de serem mulheres”, lamentou.

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