“Eu não acredito nisso, Charlie. Arrumei meu cabelo pra vir. Coloquei meu look, batom, fiz minha make, gastei com meu look, passei meu melhor perfume…”.
O que parece, à primeira vista, ser apenas uma brincadeira sobre produção para sair, ganhou outro significado quando a vereadora Cleide explicou o motivo da gravação. Segundo ela, a brincadeira surgiu após uma sessão da Câmara em que, de acordo com seu relato, os demais vereadores não compareceram.
Cleide afirma que foi a única parlamentar presente no local e aproveitou a situação para fazer uma crítica aos colegas.
“Essas sessões, os vereadores não vão, não. É uma vergonha que não tem sessão porque não dá vereador”, afirmou.
Na sequência, a vereadora elevou o tom e questionou a postura dos demais parlamentares.
“Deveriam pelo menos honrar o mandato que têm e respeitar o povo.”
Segundo Cleide, os vereadores estariam presentes em atividades e compromissos ao lado de políticos, mas não demonstrariam a mesma disposição quando o assunto é participar das sessões e das votações na Câmara.
“Eu só vejo vereador misturado com político, mas pra ir ter responsabilidade, pra ir pra dentro da Câmara, votar no que tem lá pra votar e participar das sessões, aí não aparece nenhum vereador. Só eu”, declarou.
Brincadeira que virou cobrança
A fala sobre look, maquiagem, perfume e produção, portanto, acabou servindo como uma forma bem-humorada de chamar atenção para uma situação que a vereadora considera séria.
A pergunta que fica é: uma sessão pode acontecer normalmente sem a presença dos vereadores em número suficiente? E, caso não possa, o que explica a ausência dos parlamentares?
A situação também levanta um debate sobre a responsabilidade dos vereadores com o mandato e com a participação nas atividades legislativas.
O episódio, que começou com uma brincadeira sobre uma vereadora que se arrumou para ir à Câmara, terminou com uma cobrança direta aos seus colegas: “honrar o mandato e respeitar o povo”.

















