A Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar, acompanha atualmente 157 mulheres que possuem medidas protetivas de urgência em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. De janeiro até esta quarta-feira (4), a equipe também registrou 63 casos de descumprimento de determinações judiciais relacionadas à violência doméstica.
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Os dados foram divulgados pela 2º sargento Maria Pinheiro, integrante da Patrulha no Vale do Juruá. A militar alerta para a importância de denunciar ameaças e outras formas de violência antes que a situação evolua para agressões físicas ou feminicídio.
Segundo Maria Pinheiro, a violência doméstica está entre as ocorrências mais frequentes atendidas pelo telefone 190 em Cruzeiro do Sul. Ela observa que muitos chamados acontecem quando a vítima já está sofrendo agressões físicas, embora a Lei Maria da Penha também garanta proteção contra violência psicológica, moral, sexual e patrimonial.
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“A mulher não precisa esperar o primeiro tapa para dizer que foi agredida. Se ela é impedida de sair de casa, de manter amizades, se o companheiro quebra suas coisas, ameaça ou humilha, ela já pode procurar a Delegacia da Mulher e solicitar uma medida protetiva”, orienta.
Como funciona o acompanhamento da Patrulha
O trabalho da Patrulha Maria da Penha começa após a concessão da medida protetiva pela Justiça. A equipe recebe a determinação judicial, procura a vítima e oferece acompanhamento, que pode ser aceito ou recusado pela mulher.
As visitas são realizadas por policiais militares em viaturas identificadas. Durante o acompanhamento, os profissionais verificam as condições de segurança da vítima, orientam sobre seus direitos e identificam possíveis descumprimentos das determinações judiciais.
“A presença da viatura na residência já representa uma proteção a mais. O agressor percebe que aquela mulher está sendo acompanhada pela Polícia Militar e isso pode ajudar a afastá-lo”, destaca.
A sargento relatou um caso recente em que uma mulher acompanhada pela Patrulha voltou a procurar a equipe após receber ameaças do ex-companheiro. Segundo ela, o homem, que afirmava ter ligação com uma facção criminosa, enviou a um familiar da vítima uma fotografia de uma arma de fogo acompanhada de uma ameaça de morte.
A equipe reuniu as provas e encaminhou um relatório à Vara de Proteção à Mulher. Conforme Maria Pinheiro, a atuação conjunta com a Justiça permitiu que a ordem de prisão fosse expedida e cumprida no mesmo dia.
“Ele mandou uma foto de uma arma e disse que já estava tudo preparado, que iria matá-la. Fizemos o relatório, entramos em contato com a Justiça e, à tarde, esse homem já estava preso. Essa mulher pôde dormir mais tranquila”, contou.
Medo e dependência dificultam denúncias
A militar reconhece que o medo de represálias, principalmente em áreas com presença de organizações criminosas, faz com que algumas mulheres deixem de denunciar ou recusem o acompanhamento policial.
A dependência financeira e emocional, a preocupação com os filhos e a falta de apoio familiar também são fatores que dificultam o rompimento do ciclo de violência.
“Às vezes as pessoas dizem que aquela mulher gosta de apanhar porque sempre volta para o agressor. Mas ela está adoecida, existe uma dependência emocional muito grande e vários fatores que a impedem de sair daquela situação. Não podemos julgar”, afirma.


















