Dois feminicídios em menos de 24 horas, duas famílias destruídas e um alerta que acendeu o sinal vermelho na Segurança Pública do Acre. A escalada da violência contra mulheres levou a Polícia Militar a adotar uma medida incomum: deslocar policiais especializados de Rio Branco para Feijó, município que, segundo a comandante-geral da corporação, coronel Marta Renata, apresenta índices de violência doméstica e crimes sexuais incompatíveis com seu tamanho populacional.
Em entrevista exclusiva ao, a comandante revelou que os indicadores da regional Tarauacá/Envira, especialmente os de Feijó, passaram a exigir uma resposta imediata do Estado. Mais do que reforçar o policiamento, a operação pretende entender por que um município do interior registra números tão preocupantes. “Apesar de Feijó estar numa regional pequena, os números negativos se aproximam muito dos índices da capital. Isso exige um estudo sociológico, antropológico. Precisamos compreender a dinâmica desses crimes para conseguirmos mudar essa realidade”, afirmou.
A partir de segunda-feira (13), equipes da Patrulha Maria da Penha, Polícia Comunitária, Forças Especializadas e policiais enviados da capital permanecerão durante uma semana em Feijó. O trabalho envolverá fiscalização de medidas protetivas, visitas domiciliares, ações educativas, análise criminal e, se necessário, operações repressivas. A iniciativa foi definida poucos dias depois de dois feminicídios que chocaram o Acre.
Uma semana marcada pela violência
O primeiro caso ocorreu no dia 5 de julho, em Cruzeiro do Sul, na regional do Juruá, limítrofe à Tarauacá/Envira.
Aldemir Abreu de Oliveira, de 44 anos, assassinou a ex-companheira Juliana Barboza Cerqueira, também de 44, com diversos golpes de faca no ramal Japãozinho. Em seguida, suicidou-se.



















