A Polícia Civil do Acre (PCAC) ampliou as investigações sobre o desvio de medicamentos da rede pública estadual para apurar a possível utilização de fármacos controlados, como o fentanil, no abastecimento de organizações criminosas e até na composição de drogas ilícitas. A informação foi confirmada pelo delegado-geral da instituição, Henrique Maciel, após recentes operações que resultaram em grandes apreensões de medicamentos em Rio Branco.
Segundo o delegado-geral, o material recolhido é diversificado e inclui desde itens de uso básico, como fraldas geriátricas, até medicamentos altamente controlados e de alto valor comercial. De acordo com ele, o primeiro passo da investigação é a catalogação detalhada de todo o material apreendido.
“Estamos catalogando cada item. É um volume muito grande, com medicamentos de diversos tipos. Estamos identificando lotes e procedência para compreender a origem de todo esse material”, explicou Maciel.
Após essa etapa, será realizada uma perícia mercadológica para estimar o valor financeiro dos medicamentos apreendidos. Paralelamente, a Polícia Civil investiga se parte desses produtos estava sendo desviada para fins ilícitos além da comercialização irregular.
O delegado-geral destacou que já existem indícios da utilização indevida de medicamentos controlados como substâncias entorpecentes, situação que vem sendo acompanhada pela Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (DENARC). Segundo ele, esse tipo de investigação não se limita às drogas tradicionalmente conhecidas, como maconha e cocaína.
“Há informações antigas sobre o uso indevido de medicamentos e até de substâncias associadas à produção de drogas sintéticas. O que buscamos agora é entender se isso deixou de ser algo pontual e passou a se tornar um esquema estruturado”, afirmou.
Henrique Maciel ressaltou que a investigação irá esclarecer se os medicamentos estavam sendo misturados a outras drogas para comercialização ou se o uso ocorria apenas na etapa final de consumo. “Precisamos entender que tipo de negócio estava sendo feito: se os remédios iam para farmácias clandestinas, se eram vendidos ilegalmente a pessoas que necessitavam ou se estavam sendo utilizados como drogas alucinógenas. É uma apuração complexa, mas que está avançando”, concluiu.
Redação Rede Cipó News



















