A reunião realizada na última terça-feira, 25, entre vereadores de Rio Branco e o presidente da Câmara Municipal terminou em clima de tensão e com um desentendimento envolvendo o vereador João Paulo (Podemos) e o chefe do Legislativo, Joabe Lira (UB). O encontro ocorreu a portas fechadas para tratar de questões administrativas e orçamentárias da Casa.
Em entrevista, o vereador Fábio Araújo (MDB) confirmou que houve um confronto verbal durante a reunião. Segundo ele, o clima ficou acalorado após uma fala atribuída ao presidente, de que os parlamentares não teriam colaborado com as medidas de redução de gastos adotadas em 2025.
“O que houve foi uma discussão entre o presidente Joabe e o vereador João Paulo. Foi um desentendimento normal dentro de um debate interno, mas a reunião acabou esquentando. Houve uma fala considerada infeliz, ao desconsiderar que os vereadores contribuíram com os cortes do ano passado. Depois ele se retratou, mas, no momento, gerou insatisfação”, afirmou Araújo.
O vereador João Paulo (Podemos) afirmou à reportagem que se arrepende de ter votado para eleger Joabe Lira à presidência da Câmara Municipal de Rio Branco e criticou a condução das informações sobre o orçamento do Legislativo.
Segundo o parlamentar, a previsão orçamentária para 2026 seria de R$ 71 milhões, e não de R$ 67 milhões, como vem sendo informado pela presidência da Casa. De acordo com João Paulo, os vereadores Neném Almeida e José Augusto Aiache relataram, após reunião com o secretário municipal Wilson, que esse seria o novo valor previsto.
“Eu me arrependo do meu voto. O presidente precisa agregar, e hoje isso não acontece. Se ele já tinha a informação de que o orçamento seria de R$ 71 milhões, por que não a repassou aos vereadores? Essa é uma informação pública e deve ser compartilhada com todos os 21 parlamentares”, declarou.
João Paulo também demonstrou insatisfação com a afirmação feita por Joabe de que os vereadores não teriam contribuído para a redução de gastos da Câmara em 2025. O parlamentar rebateu a fala e disse que houve colaboração coletiva.
“Quando abrimos mão de motorista, de viagens e de cursos, estamos ajudando a administração da Casa. Todos os vereadores e vereadoras fizeram sacrifícios para que o orçamento fechasse. A Câmara encerrou o ano com R$ 65 milhões e agora surge esse acréscimo para R$ 71 milhões, sem que sejamos informados oficialmente. Isso causa indignação”, afirmou.
O vereador acrescentou que a insatisfação não é individual, mas compartilhada por outros parlamentares. “Não é apenas o João Paulo. Há um sentimento entre os vereadores de que faltou transparência sobre um tema que é de interesse público”, concluiu.
Orçamento e cortes
Fábio Araújo explicou que o orçamento da Câmara foi um dos principais pontos de divergência. Conforme o vereador, em 2024 o Legislativo trabalhou com cerca de R$ 65 milhões. Para 2025, a projeção inicial era de R$ 63 milhões, posteriormente alterada para R$ 67 milhões por meio de emenda, podendo chegar a aproximadamente R$ 71 milhões após as correções anuais.
Segundo ele, os parlamentares abriram mão de benefícios para ajudar a equilibrar as contas.
“Cada vereador deixou de utilizar, em média, entre R$ 100 mil e R$ 150 mil em benefícios para contribuir com o fechamento do orçamento de 2025. Por isso, não tem como ouvir que não houve colaboração”, destacou.
O vereador José Augusto Aiache (PP) também confirmou que houve esforço coletivo para reduzir despesas e classificou a declaração como equivocada.
“Não fiz viagens, não utilizei diárias e não aluguei gabinete. Muitos fizeram o mesmo. Conseguimos economizar e fechar o ano. Acho que o presidente foi infeliz naquele momento, mas há espaço para diálogo”, disse.
Posicionamento do presidente
Procurado pela reportagem, o presidente da Câmara, Joabe Lira, afirmou que não teria dito que os vereadores não contribuíram com os cortes. “O orçamento aprovado pelos vereadores é de R$ 67 milhões. A previsão oficial será disponibilizada após a formalização pela Prefeitura”, declarou

















