A atuação da Defensoria Pública garantiu a continuidade do tratamento do paratleta Thomas Rodrigues de Tarauacá, com o fornecimento de medicamentos, sondas e outros insumos de uso contínuo determinado pela Justiça. O acesso aos itens ampliou a autonomia dele para estudar, sair de casa, treinar e competir. O caso foi divulgado pelo orgão nesta sexta-feira (17).
A lesão cervical ocorreu em setembro de 2020, quando Thomas mergulhou em águas rasas em Tarauacá. Nos meses seguintes, ele precisou de ajuda de terceiros para tarefas como sentar, se alimentar, se virar na cama, tomar banho e passar para a cadeira de rodas. “Eu dependia de todos para tudo. Atividades que, para muitos, são simples eram enormes desafios”, relata.
Quatro meses após o acidente, o paratleta foi encaminhado para tratamento fora do estado, no Hospital Sarah, em Brasília. Na internação, recebeu medicamentos e insumos prescritos para o controle das alterações provocadas pela lesão e a redução dos espasmos. Depois da alta, voltou para Tarauacá.
A família procurou os itens em postos de saúde, hospitais e farmácias municipais. O SUS fornecia apenas um dos quatro medicamentos e parte dos materiais. O restante era comprado pelos pais ou obtido por meio de doações. “Em algumas ocasiões, fiquei sem tansulosina e solifenacina. A falta provocava fortes dores de cabeça e aumento da pressão arterial”, afirma.
A ação foi ajuizada pela Defensoria em 2021. Relatórios médicos anexados ao processo comprovaram a necessidade do uso contínuo dos medicamentos e insumos e apontaram risco de complicações caso houvesse interrupção do tratamento.
Em fevereiro de 2025, a Justiça determinou o fornecimento contínuo e gratuito dos itens. O Estado recorreu da sentença, mas a Segunda Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) manteve a decisão por unanimidade, em abril de 2026. Para o Tribunal, a intervenção judicial era necessária para assegurar o direito constitucional à saúde.
Materialde referência geográfica
Entre os materiais assegurados está uma sonda descartável de manuseio mais simples. Antes dela, o procedimento dependia dos pais. “Com essa sonda, consigo fazer o esvaziamento e descartar o material. Não dependo de ninguém. Isso mudou completamente a minha vida”, diz. O dispositivo também dispensa a permanência conectada a uma bolsa coletora ao longo do dia.
Com mais estabilidade e autonomia, Thomas retomou os estudos e o esporte. Em 2026, concluiu o ensino superior. No ano anterior, conquistou a medalha de bronze em Bangkok, na Tailândia, e duas medalhas de prata em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em representação ao Acre e ao Brasil.
Atrasos pontuais no fornecimento e situações em que a aquisição depende de depósito judicial ainda ocorrem, segundo o paratleta. Mesmo assim, ele mantém a rotina de treinos de parajiu-jítsu e as atividades fora de casa. “Sem a atuação da Defensoria Pública, seria impossível viver com a qualidade de vida que tenho hoje.”



















