O Acre pode enfrentar um dos episódios mais intensos de El Niño das últimas décadas. O alerta é do professor e pesquisador da Universidade Federal do Acre (Ufac), Foster Brown, que aponta uma probabilidade de cerca de 80% de o fenômeno atingir a classificação de Super El Niño no estado, cenário que pode prolongar o período de calor, reduzir as chuvas e intensificar a estiagem ao longo dos próximos meses.
Em entrevista ao portal A GAZETA, nesta segunda-feira, 20, Brown explicou que o El Niño, confirmado oficialmente em junho, entrou na segunda quinzena de julho na fase em que seus efeitos passam a ser percebidos com mais intensidade. Segundo ele, a tendência é que o fenômeno ganhe força até o fim do ano.
“Temos indicação que estamos indo para não somente moderado ou forte, mas muito forte no Acre, chamado de Super El Niño. Uma probabilidade de 80%. Dependendo de que parte do mundo você está, e pensando no Acre, a tendência é prolongar o período de calor. Tivemos a experiência em 1993, 2023 e 2024. E em 2026 pode ser mais forte que nos anos passados”, afirmou o pesquisador.
Enquanto a Região Sul do país deve registrar aumento das chuvas, o cenário previsto para o Centro-Norte, onde está o Acre, é de temperaturas elevadas, redução das precipitações e um período seco mais prolongado.
Impactos devem aumentar nos próximos meses
Segundo Foster Brown, os efeitos do El Niño ainda estão em sua fase inicial e tendem a se intensificar gradualmente. Isso significa que as consequências para o clima não serão necessariamente imediatas, mas devem se tornar mais evidentes ao longo do segundo semestre.
“As preocupações com o El Niño são sobre a sua intensidade nos próximos meses. A tendência é para crescer. Estamos na fase inicial do El Niño. Existe um gradiente da intensidade e vamos ter impactos crescentes nos próximos meses. Porém, alguns efeitos podem ser tardios, não imediatos. O sistema do clima reage com várias velocidades. Sem dúvida, já tivemos El Niños piores, mas temos indicação de que este pode ser um dos mais fortes das últimas décadas”, explicou.
O pesquisador ressalta ainda que o fenômeno ocorre em um contexto de aquecimento global, condição que favorece a ocorrência de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas, ondas de calor e aumento do risco de queimadas.
Modelos internacionais reforçam previsão
As projeções também são acompanhadas por centros internacionais de monitoramento climático. De acordo com o Centro de Previsão Climática (CPC) da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 81% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro, período em que o fenômeno costuma alcançar seu pico.
Modelos climáticos indicam ainda que a anomalia da temperatura da superfície do mar na região conhecida como Niño 3.4 pode alcançar uma mediana de 3,6°C no ciclo 2026-2027, índice superior aos registros observados nos últimos 150 anos.
Rio Acre já registra nível baixo
Os reflexos do período seco já começam a aparecer no Acre. Segundo boletim divulgado pela Defesa Civil de Rio Branco na manhã desta segunda-feira, 20, o Rio Acre marcou apenas 2,42 metros na capital, mantendo tendência de queda. Nas últimas 24 horas, não houve registro de chuva.
O nível está muito abaixo da cota de alerta, fixada em 13,50 metros, e reforça o avanço da vazante em um período em que a tendência é de redução das precipitações no estado.
















