O delegado Vinícius Almeida, da Polícia Civil, informou que a mulher assassinada pelo ex-companheiro no último domingo, em Cruzeiro do Sul, havia procurado a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) poucos dias antes do crime para solicitar uma medida protetiva de urgência.
Segundo o delegado, a vítima foi atendida no dia 1º de julho, quando relatou o fim do relacionamento e demonstrou preocupação com o comportamento do ex-marido. A medida protetiva foi encaminhada ao Poder Judiciário logo após o atendimento.
Durante o depoimento, a mulher afirmou acreditar que o ex-companheiro não teria coragem de matá-la. Ela também informou que, ao longo dos cerca de 30 anos de casamento, havia sofrido apenas um episódio de agressão física, ocorrido aproximadamente 20 anos antes. Por isso, optou por não representar criminalmente contra o autor, solicitando apenas a medida protetiva.
Vinícius Almeida destacou que a Polícia Civil ofereceu à vítima acolhimento em uma casa-abrigo e atendimento psicológico, mas ela recusou ambas as opções.
As investigações indicam que o crime foi motivado pela não aceitação do fim do relacionamento por parte do suspeito. De acordo com o delegado, a mulher decidiu encerrar o casamento após descobrir uma traição, e o ex-companheiro insistia em reatar a relação, chegando a procurar familiares, amigos e até um pastor para tentar convencê-la a voltar.
O delegado reforçou que o caso serve de alerta para mulheres que sofrem violência doméstica. Segundo ele, é fundamental não subestimar o potencial de violência de agressores que não aceitam o término do relacionamento e buscar proteção sempre que houver qualquer ameaça.
A Polícia Civil segue investigando o caso. Familiares da vítima ainda serão ouvidos após o velório, e as testemunhas devem prestar depoimento ao longo desta semana. A principal hipótese é de que, após cometer o feminicídio, o autor tenha tirado a própria vida.



















