O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) afirmou que foi impedido de realizar uma vistoria completa no navio-hospital chinês Silk Road Ark, atracado no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. Segundo o Conselho, houve resistência à fiscalização, incluindo a intervenção de uma autoridade consular chinesa e a presença de militares chineses em solo brasileiro, o que foi percebido como intimidação.
O relato foi feito pelo conselheiro Raphael Câmara à Gazeta do Povo, informando que a autoridade chinesa teria sido hostil e que uma van com cerca de dez militares chegou ao local durante a tentativa de inspeção. Após início de registros fotográficos, os militares teriam se afastado.
O CREMERJ sustenta que a fiscalização do ato médico é obrigatória em território brasileiro, mesmo em missões internacionais. Contudo, tratados como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar garantem imunidade jurisdicional a navios de Estado (como navios-hospitais), impedindo inspeções internas sem autorização do país de bandeira — neste caso, a China.
A Marinha do Brasil informou que a visita foi autorizada pelo governo brasileiro, tem caráter diplomático e não prevê atendimento médico à população, ocorrendo em coordenação com a prefeitura do Rio e o consulado chinês. A Secretaria de Estado de Saúde do RJ afirmou não haver comunicação oficial sobre atendimentos e destacou que a condução e fiscalização cabem às autoridades federais.
Há relatos informais e divergentes sobre possíveis atendimentos anteriores no navio, mas no dia da fiscalização não havia atendimento em curso. O CREMERJ enviou ofícios à Marinha do Brasil e à Secretaria de Saúde solicitando esclarecimentos, sem resposta até o momento, e aguarda manifestações formais para decidir os próximos passos.
Oficialmente, a China afirma que a missão do Silk Road Ark é de intercâmbio médico, científico e cultural, dentro da Missão Harmony-2025, com caráter humanitário e diplomático.



















