Aos 97 anos, Pedro José Correia de Oliveira entrou na pista de dança da quadrilha do arraiá do Centro do Idoso de Cruzeiro do Sul com a mesma disposição de alguém décadas mais jovem. Ao lado de sua companheira, conquistada também nas atividades do centro, ele embodifica uma verdade que a ciência já provou há tempos: a dança e o movimento mudam vidas na terceira idade.
“Pra amar não tem idade. Pra brincar também não tem”, declarou à reportagem do Juruá 24 Horas, com um sorriso que acumula quase um século de sabedoria e alegria.
O segredo de sua vitalidade, segundo ele próprio, é simples e direto: “A saúde é tudo. Com fé em Deus, a gente vive. Eu não bebia e nem fumava — se bebesse e fumasse, estaria tirando a minha sustância do corpo”. Mas não é apenas a abstinência que mantém Pedro José vivo e dançarino. É o movimento.
Dança como medicina
Maria Sueli Muniz Cabral, de 65 anos, testemunhou essa transformação de perto — e vivenciou a própria. Também participante das atividades do centro, ela chegou debilitada por dores no joelho. “Eu não aguentava mais nem andar com o meu joelho doendo, e agora danço, faço tudo, graças a Deus, ao Centro do Idoso”, contou, preparando-se para entrar na quadrilha.
A fisioterapia, a ginástica e, principalmente, a dança — oferecidas regularmente pelo centro — transformaram sua rotina. O mesmo ocorreu com dezenas de idosos presentes na festa desta sexta-feira, que encontraram no espaço não apenas atividades, mas uma segunda chance de viver plenamente.
Amor aos 97
Mas a história de Pedro José vai além da saúde física. Nas atividades do centro, ele conheceu a mulher que o acompanhava na dança — e a química funciona perfeitamente bem.
“A saúde é o segredo. Com fé em Deus, a gente vive. Eu não bebia e nem fumava — se bebesse e fumasse, estaria tirando a minha sustância do corpo”, explicou, com sabedoria de quem alcançou um século de vida.
Questionado se encontrou sua dama também pelo centro, Pedro José confirmou com bom humor. “Do centro e de outros lugares, né? Mas aqui a gente dança, conversa, tudo na paz. E quando chega a vontade de brincar, brinca mesmo”, brincou, reafirmando que para amar e se divertir não existe limite de idade.
A festa desta sexta-feira reuniu comidas típicas, quadrilha e momentos como esse — que comprovam o que os profissionais de saúde dizem há tempos: idosos ativos, em movimento, com vida social ativa e com possibilidades de manter relacionamentos amorosos têm qualidade de vida exponencialmente maior.
Benefícios da dança e do movimento
As atividades do Centro do Idoso de Cruzeiro do Sul — que incluem aulas de dança, fisioterapia, ginástica e confraternizações — geram impactos comprovados: melhora da mobilidade, redução de dores crônicas, prevenção de quedas, maior sociabilização e saúde mental. E, como mostram os relatos, resgate da alegria de viver.
Para Pedro José, que em breve completará um século de existência, a resposta é ainda mais simples: “Tudo de bom para nós lá no centro. A gente dança, conversa. Tudo na paz, né?”


















