A Polícia Civil do Acre identificou um policial militar reformado suspeito de envolvimento no sequestro de um motorista de aplicativo em Rio Branco. O caso foi apresentado durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira, 4, na sede da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), no Centro da capital.
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Pedro Busolin, o crime ocorreu na semana passada, quando o motorista foi abordado no Segundo Distrito por homens que se apresentaram como policiais. O grupo suspeitava que a vítima estivesse envolvida em um furto e passou a exigir informações sobre os objetos supostamente subtraídos.
Durante a ação, o motorista foi levado pelos suspeitos em um veículo que circulou por diferentes pontos da cidade. Ao chegar à Avenida Getúlio Vargas, ele se jogou do automóvel e sofreu diversos ferimentos.
Após o ocorrido, a vítima procurou uma delegacia e registrou boletim de ocorrência. A Polícia Civil designou uma equipe de delegados para investigar o caso e identificou a possível participação de um policial militar reformado.
“Identificamos um policial militar reformado que estava no ato e possível autor deste crime. E ontem, nós demos cumprimento a ordens judiciais em favor desse investigado e continuamos com as diligências para tentar identificar outros autores”, afirmou Busolin.
De acordo com o delegado-geral, as investigações também permitiram identificar veículos utilizados durante a ação criminosa. Entretanto, a polícia ainda trabalha para esclarecer a participação das demais pessoas envolvidas.
“Tem outras pessoas envolvidas na prática deste delito, porém ainda não conseguimos identificar de forma contundente todas elas”, explicou.
Busolin informou que as medidas judiciais cumpridas na terça-feira, 3, foram direcionadas apenas ao policial militar reformado. Segundo ele, o investigado deverá permanecer custodiado.
A Polícia Civil também apura as circunstâncias que levaram o grupo a abordar o motorista. Conforme as informações iniciais, os suspeitos procuravam esclarecimentos sobre um crime patrimonial cometido na capital, no qual teria sido utilizado um veículo semelhante ao da vítima.
O delegado ressaltou, no entanto, que a investigação sobre o suposto furto ocorre separadamente da apuração do sequestro.
A comandante-geral da Polícia Militar do Acre, coronel Marta Renata, informou que a corporação colaborou com a Polícia Civil desde o início das investigações. Ela também destacou que eventuais desvios de conduta de integrantes da instituição são submetidos aos procedimentos cabíveis.
“Identificado um policial militar envolvido nessa situação, nós também abrimos procedimento administrativo de modo a apurar a conduta, a ética e o decoro do militar, porque a Polícia Militar não coaduna com nenhum tipo de desvio de conduta de seus integrantes”, declarou.
A comandante acrescentou que, entre 2025 e 2026, seis policiais militares foram excluídos da corporação por condutas consideradas incompatíveis com as exigências da profissão.


















