Um trágico acidente no interior do Acre ganhou novos contornos criminais e transformou o luto de uma família em uma batalha por justiça. O motorista identificado pelas iniciais P.A.H.R. foi oficialmente indiciado por omissão de socorro no caso que tirou a vida do jovem motociclista Robson Rodrigues da Silva, de apenas 22 anos.
A colisão fatal ocorreu no dia 5 de julho, no cruzamento das ruas Rodovaldo Nogueira e 24 de Janeiro. Robson, que havia saído de casa apenas para fazer uma compra rápida para o tio, teve a trajetória interrompida bruscamente. O jovem morava com a avó acamada, de quem cuidava, e planejava iniciar a faculdade de Medicina na Bolívia, mesmo sonho que o irmão gêmeo, Celson Rodrigues, já havia começado a realizar.
Inquérito aponta culpa da vítima, mas fuga pune motorista
Concluído no início de agosto, o inquérito comandado pelo delegado Luccas Viana apontou que a responsabilidade primária pelo acidente foi do próprio Robson. Segundo a polícia, o jovem teria invadido a preferencial.
No entanto, o motorista da caminhonete não saiu ileso da responsabilização legal: ele responderá criminalmente por ter fugido da cena sem prestar nenhum auxílio ao jovem agonizante. Pedro André se apresentou à delegacia somente dois dias após o ocorrido. A defesa do condutor foi procurada, mas optou por não se manifestar.
A fuga do local, inclusive, deixou lacunas que revoltam os familiares. Segundo a mãe da vítima, a empreendedora Degiane Rodrigues da Costa, testemunhas relataram ter visto o motorista consumindo bebidas alcoólicas pouco antes do choque. O delegado confirmou que a atitude de abandonar o local impediu a realização de exames: “Não teve como comprovar se ele ingeriu bebida alcoólica, pois ele fugiu do local e se apresentou dois dias depois”, contrapôs o investigador.
“É muita revolta”: Mãe contesta versão policial e aponta contradições em vídeo
Inconformada com o desfecho das investigações, a mãe de Robson contesta abertamente a dinâmica apresentada pela Polícia Civil e busca ter acesso à íntegra dos autos com o auxílio de uma advogada. Após ter acesso às imagens de segurança na Promotoria de Justiça, Degiane afirma que o filho já concluía a travessia quando foi atingido.
“Pelo vídeo que eu vi, ele ia fazer a encruzilhada e eles vinham na linha reta. Quando o carro pegou, foi na traseira da moto. É muita revolta e transtorno para mim, amigos e família, porque ver uma pessoa vivendo sua vida normalmente, viajando, como se nada tivesse acontecido, causa revolta”, Degiane Rodrigues, mãe de Robson.
Ela garante que não interromperá a busca por respostas: “Vou continuar buscando esclarecimentos sobre tudo que aconteceu e quero justiça. Espero que a Polícia Civil possa responsabilizar esse homem pelo que ele fez com meu filho.”
Comoção e protestos tomam as ruas de Xapuri
A tragédia mobilizou a população local. No dia 12 de julho, moradores e familiares vestiram o luto e caminharam em protesto pelas ruas de Xapuri, encerrando o ato na Praça da Juventude Calebe Nascimento Mota para cobrar rigor nas apurações.
Nas redes sociais, a comoção se multiplicou em dezenas de homenagens ao jovem que teve os sonhos interrompidos precocemente. A família segue mobilizada para contestar a conclusão do inquérito e exigir o esclarecimento integral dos fatos.


















